terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nós que aqui estamos por vós esperamos

Um dos únicos programas decentes para se assistir aos sábados, o Saturday Night Live caiu no pesadelo dos assinantes de TV paga: entrou em um festival de reprises. Quando exibe algum episódio inédito, é com séculos de atraso em relação a programação americana. E por ser um programa de humor que satiriza fatos da vida real, as piadas chegam caducas de velhas ao Brasil.
Mas quando a piada velha é boa, até que vale a pena. E há meses o SNL está homenageando os antigos membros do programa, que se sustenta há 30 anos no ar. Um dos atuais integrantes do elenco surge no estúdio vazio, que tem a inconfundível paisagem nova-iorquina de fundo e narra para a câmera um texto sentimental sobre o homenageado da semana, que já incluiu Chris Rock, Adam Sandler, Steve Martin e uma pá de gente que hoje pulula feliz entre uma comédia hollywoodiana e outra. Em seguida, é exibida uma coletânea das melhores esquetes do sujeito.

O homenageado deste sábado foi Chris Farley, especializado em personagens bobos e histéricos, o estereótipo do gordinho-simpático-meio-seqüelado que fez muito sucesso no SNL e mais ainda nas comédias de Sessão da Tarde dos anos 80. O que mais me chamou a atenção foi a narração melosa do ator Tim Meadows na introdução da homenagem, que pintou Farley como o gorducho simpático que era na vida real exatamente como aparecia nas telas. Imediatamente lembrei que o comediante morreu de overdose na metade da década de 90 e tinha um passado bem conturbado, com direito ao tripé sexo, drogas e más companhias (o rock n' roll talvez não se encaixe aqui).

Curiosa e meio esquecida da ocasião de sua morte, corri ao Google e um dos primeiros sites que apareceram (antes até da Wikipedia) foi um tal de Find a Death, que incluía detalhes da trágica morte de Farley, foto de seu túmulo, do certificado de óbito e do seu próprio corpo encontrado no quarto de hotel onde estava (com um pertinente aviso dos efeitos das imagens em internautas mais sensíveis). Fuçando mais, vi que o site era de uma empresa especializada em mortes de celebridades, com uma extensa lista de óbitos, que vai dos mais conhecidos, como o de Marilyn Monroe, até os mais obscuros, como o de Heather O'Rourke, atriz mirim que morreu em circunstâncias misteriosas após filmar Poltergeist.

O site ainda disponibiliza newsletters, fórum de discussão, lojinha (vende um documentário sobre mortes no showbizz e partes dos cenários dos acontecimentos. Por exemplo, um pedaço da lareira da casa da Sharon Tate) e oferece um tour por cemitérios e cenas dos crimes famosos em Hollywood. O dono de todo este mórbido empreendimento é um ex-advogado que se auto descreve como "alguém sempre fascinado pela morte".

Após a surpresa inicial, percebo que não é loucura um negócio destes existir justamente em Hollywood, onde tanto a tragédia quanto a fama são garantia de cofres cheios. Afinal, Elvis não figura, anos após ano, no topo das celebridades mais lucrativas, mesmo após de morto? Será que o novo Batman teria o mesmo sucesso sem a morte repentina do Heath Ledger? Se nós, pobres mortais, temos de pagar um preço por viver de forma tão cuidadosa (arrumar um emprego, pagar os impostos, evitar a gordura trans) o star system não pode ser tão intocável.

Num país como o Brasil, onde a mídia é controlada por uma única emissora e o máximo do mainstream é aparecer na novela das oito ou no sofá da Hebe, me pergunto se um site como estes seria possível.

*Quem quiser conhecer http://www.findadeath.com/

2 comentários:

Anônimo disse...

Aqui no Brasil, teriamos tudo sobre a morte de estrelas do calibre de Carla Perez, Gracyanny e Thammy Gretchen.
Não vejo a hora.

Marina disse...

Acho que um site desses aqui no Brasil seria super possível, mas não por uma questão cultural do país, e sim das "pessoas humanas":Gente mórbida/curiosa/desocupada/oportunista/[insira aqui o que quiser] existe em todo lugar.

Ok, talvez aqui isso nem gere tanto dinheiro quanto lá, mas o que tem de gente desocupada que adora uma desgraça..É só lembrar do caso Isabela (só de lembrar já fico sem saco) e as toneladas de reportagens e de curiosos na rua (e todo aquele circo).

Ok, não foi uma morte de celebridade, mas é só um exemplo de que desgraça definitivamente é entretenimento!