Lá em 1996, o mais anormal, desvirtuado e vilipendioso que conseguiamos imaginar como zoeira era explodir uma privada, o que naturalmente levaria o perpetrante de tal prática à expulsão sumária do estabelecimento de ensino em questão, levando consigo o terrível estigma de maloqueiro-que-atenta-contra-a-ordem-e-os-bons-costumes. Outro modus operanti era soltar o infame peido de véio, também conhecido como cordãozinho fedido, em plena aula, sendo o modo advanced da coisa enrolar vários deles e acender na aula de química, seguido do anúncio ao professor:
- Professor, acho que tem alguma coisa do material da sala fedendo.
Isso era o máximo que minha geração conseguia pensar entre um aula e outra em termos de alopração, mas a nova geração realmente levou isso a um nível completamente diferente. Vos Apresento a evidência número 1:

Tragicômico, no mínimo. Lá em 1996, comida era pra se comer ou pra encher de pimenta e dar para aquele pidão que sempre enchia o saco na hora do intervalo. Sério gente, nem nos meus sonhos mais selvagens eu conseguiria imaginar algo tão pungente, tão capaz de denegrir a imagem de uma pessoa. Fico imaginando o tamanho do trauma da pessoa que levou a maria-molada, quão pequena aquela pessoa se sentiu, não sendo digna nem de uma borrachada ou de uma errorexada, também conhecido como corretivada. Pobre da alma da pessoa cuja dignidade é menos densa que uma maria-mole.
Agora, vos apresento a evidência número 2:
Vemos que nesse caso temos a repetição do fator comida na peça pregada, o que nos leva à indagação: seria o aluno em questão o mesmo do comunicado anterior, só que com gadgets tecnológicos e novas técnicas de humilhação? Porque, convenhamos, isso é um ataque psicológico direcionado aos presentes na sala que amam religião ou odeiam misto quente. Depois de muita leitura de tratados filosóficos da época trágica grega e dos filósofos alemães modernos, cheguei à outra indagação elementar: como que um professor vê um aluno tirar uma torradeira de dentro da mochila e não pensa que o moleque vai aprontar? Creio que o mestre deva ter pensado que o menino iria fazer um misto quente pra dar no lugar da maçã, e ficou furioso ao constatar que o aluno queria o lanche pra si. Vai saber...Pensando no futuro dessa geração, imagino como seriam as ações desses atuais alunos perante as demandas sociais. Numa manifestação anti-qualquer coisa, ao invés de coquetéis molotov, essas pessoas lançariam pratos de dobradinha e mocotó contra a tropa de choque; já pensando no caso da vida profissional, a reação perante uma demissão seria preparar um panelão de rabada na sala do chefe. Para concluir, tenho como sugestão as sábias palavras de Parmênides a Zenão de Eléia: quando seu filho começar a brincar com a comida na mesa, dê um esporro no fedelho.
3 comentários:
maria-molada
ge-ni-al.
Rindo histericamente do misto quente na aula.
Em se tratando de misto quente, eu acredito que a decadência dos valores da nossa geração para a mais nova está no uso do português.
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