#5 - O Durian

O durian é uma fruta típica do sudeste asiático, cultivada principalmente na Tailândia, na Indonésia e na Malásia. Conhecida como "o rei das frutas", ele é muito consumido nos países do extremo oriente, tendo até uma celebração própria, o festival Kadayawan, onde o durian tem papel principal. A fruta é rica em vitamina C, potássio, triptofano, carboidratos e proteínas, sendo até utilizada como componente de um suplemento alimentar nos EUA. Parece uma maravilha, não é?
Legal! Qual o problema então?
Além do durian ser altamente gorduroso e conter níveis de potássio tão altos a ponto de ser um alimento de alto risco para pessoas com problemas renais, há outro empecilho: o cheiro da fruta. Muitas pessoas já escreveram sobre a experiência ontológica que seria comer a fruta, gente do calibre de Anthony Burgess, que disse que comer o durian é "como comer um manjar de amoras frescas em
um banheiro público", e chefs como Andrew Zimmern e Anthony Bourdain, que descreve a especiaria da seguinte forma: "o seu gosto só pode ser descrito como... indescritível, algo que ou você amará ou odiará com todas as suas forças. Seu hálito cheirará como se você tivesse beijado sua avó morta na boca".O cheiro do durian é tão pungente que ele pode ser comparado ao de vômito seco, esgoto, gambá e bandagens cirurgicas usadas. Ele é tão forte que o metrô de Cingapura proíbe que seus usuários consumam a fruta dentro dos vagões e estações. Agora pare e pense: sua mãe gostaria de saber que o filhinho querido anda comendo algo que cheira igual aquela meia que você usou por uma semana, depois largou embaixo da cama?
#4 - Chou Doufu

É um tipo de tofu muito comum na China, onde é consumido como acompanhamento em bares e como comida de rua. Esse prato tem as mesmas característica do tofu tradicional, com a diferença de que ele fica alguns meses mergulhado numa solução de leite fermentado, carne e vegetais. Possui as mesmas propriedades nutricionais dos outros tipos de tofu, sendo rico em proteínas e isoflavonas, que previnem aquela onda de calor repentino que muitas mulheres na menopausa sofrem normalmente.
Não sei se isso passou pela sua cabeça, mas "doufu" quer dizer tofu. E "chou"? Aí é que está o punch da coisa: "chou" quer dizer "fétido". E esse fétido é bem sério nesse caso, já que o cheirinho de bosque do chou doufu já foi comparado ao de lixo em decomposição, de esterco de vaca e de um ob usado no calor do deserto. Os amantes dessa delícia do oriente dizem que, apesar do cheiro, o gosto é bom, seguido da simbólica frase "quanto mais fede, melhor o sabor". Ah sim, claro, as outras pessoas que dizem que o cheiro da coisa é tão horrível que, ao tentar engolir a "comidinha", regurgitam, só podem estar erradas. É o mesmo caso do alimento anterior, mas pior pelo fato de não ser uma aberração da natureza. Como diria mamãe: não dá pra confiar em comida de rua.
#3 - Smalahove
O Smalahove é um dos pratos mais tradicionais da Noruega, normalmente servido por volta da época do natal. Consiste basicamente de carne de ovelha servida com batatas e beterraba, sendo assim um prato rico em proteínas, ferro e carboidratos. Antigamente, era normalmente consumido pelos mais pobres, porém, recentemente, se tornou uma iguaria saboreada principalmente por turistas.
Legal! Qual o problema então?Veja bem: quais são as chances de qualquer "iguaria" nórdica consumida por turistas ser boa? Zero? Pois bem, o problema, basicamente, é que o smalahove é a cabeça de uma ovelha servida com beterraba e batata. Por ser um alimento tradicional e exótico, os turistas idiotas vão comer a coisa só pra tirar uma foto pra mostrar praquele primo metido a machão. Além do fator "estou comendo a cabeça de um animal", a diretiva da União Européia proibiu que fosse feito smalahove de ovelhas adultas, pois isso poderia transmitir Scrapie para quem comesse. Sabe o que é Scrapie? A titia Wikipedia me disse que é a vaca louca das ovelhas. Enfim, provavelmente sua mãe nem ligaria pra isso, já que ela acharia que você está louco só de querer comer isso.
#2 - Cazu Marzu

É um tipo de queijo da Sardenha, aquela região da Itália famosa por ser uma ilha cheia de mafiosos e não ser a Sicília. Por ser um queijo, é rico em proteínas e bastante nutritivo, portanto sua mãe o compraria no mercado pra colocar no meio do pão pra você levar pra escola/faculdade/trabalho. Ela ainda diria que é um queijo italiano, então iria cair bem com uma fatia de mortadela numa ciabatta. Hum, que delícia!Ah, um detalhezinho que sua mãe não sabe: o povo de lá acredita que esse queijo é afrodisíaco.
Legal! Qual o problema então?O queijinho-maravilha tem larvas. Isso mesmo, larvas de uma mosca muito comum na Sardenha, a mosca do queijo, olha só que maravilha, minha gente! Pra comer o laticínio, você deve usar um óculos, pois as simpáticas larvinhas podem pular por distâncias de até 15 centímetros. O queijo é tão saudável que foi banido, por razões de segurança alimentar, do único lugar onde ele é feito, apesar de relativa facilidade com que pode ser encontrado no mercado negro. Dentre os riscos à saúde que essa iguaria única pode trazer, estão intoxicação alimentar devido ao estado avançado de putrefação do queijo e miíase intestinal, vulgo "seu intestino empesteado de larvas". Até sua mãe sabe que se isso acontecer contigo, nem o licor de cacau vai tirar esses bichos de dentro de ti.
#1 - Hákarl

O hákarl é uma iguaria islandesa amplamente disponível nos mercados do país e em alguns em outros países, apesar de seu consumo ser maior no mês de Þorri, por volta de janeiro, onde é servido o Þorramatur, que é um banquete com os pratos típicos dessa época do ano, do qual o hákarl é parte. Esse prato consiste de carne de tubarão, rica em proteínas e ômega 3, uma maravilha em termos de nutrição, que além de tudo ainda é consumido acompanhado de uma pinga tradicional da Islândia feita de batata, chamada Brennivín.
Legal! Qual o problema então?
Vários, e todos eles se encadeiam para formar uma experiência que você não passaria nem fosse parar numa prisão norte-coreana por cuspir numa foto do ditador de lá. Pra começo de conversa, a carne de tubarão é consumida crua e, como se não bastasse, podre. Mas não pense que é aquele podre consumível, deixe o processo de conservação da carne te mostrar o quão putrefata fica a iguaria: ela é enterrada debaixo de areia por até 3 meses, depois fica pendurada numa cabana por mais alguns meses. Entendeu o nível de podridão da coisa? Você poderia dizer que entende e que, pelo menos, tem a pinguinha de batata pra beber. Ledo engano, meu caro: a Brennivín é bebida logo que se come um pedaço de hákarl, para ajudar na digestão e limpar o gosto tétrico que a coisa deixa na boca. Acho que nem preciso falar do cheiro, né? Abaixo está o que seria a cara da sua mãe só de pensar que pagou anos de educação de um filho pra ele colocar uma porcaria dessas pra dentro.
4 comentários:
Vc esqueceu de citar as mães e avós libanesas.
ain.
qual é mesmo o problema com os hamburgers(hamburgueres?) de minhoca?
sugiro um post sobre iguarias nojentas tupiniquins. Deve existir, não é possível.
Notaram que paga-se 5000 Thai bahts (cerca de 100 dólares) para trafegar com líquidos inflamáveis pelo metrô mas comer a podridão durianesa lá dentro não custa nada? Não pode ser tão ruim assim... pode?
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