quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sambando com os asteróides

Como todos aqui já devem ter percebido, sou uma pessoa que gosta bastante de TV. Mas nunca fui de ficar horas inerte a assistindo, pois a vida sempre arruma mais coisas pra gente fazer. Escola, trabalho, vida social, faculdade e a internet, que parece ser a maior concorrente da "caixa de fazer doido".
Sinto que esta paixão (exagero, oi) não só pela TV, mas pela cultura pop em geral, cresceu após a minha faculdade de comunicação, que se por um lado, não me trouxe grande coisa no mercado de trabalho, por outro, me ajudou a observar todos os tipos de programas com um olhar mais crítico, até aqueles mais trash.
Mas todo esse blablabla foi pra dizer que após chegar do batente, dou uma zapeada nos canais e pego o comecinho de Armaggedon, o blockbuster do fim do mundo, que lembro ter visto no cinema e me confirma o amor incessante da TV paga por reprises.
Ao rever o filme, vejo que tudo nele me mata de vergonha: o título que surge no começo envolto em labaredas e que explode em seguida, o tecnologês da Nasa, os momentos de somos-ianques-e-vamos-salvar-o-mundo, as cenas cafonas em câmera lenta para perpetuar um heroísmo bobo e assim vai. Mas tenho que admitir que o carisma do Bruce Willis ajuda a gente a se ligar na história, pelo menos um pouquinho.
Vendo os destroços do suposto asteróide destruidor que vem em direção a Terra caírem em plena NY e explodirem as torres gêmeas e um sem-número de táxis, com nova-iorquinos engravatados correndo apavorados pelas suas vidas, fico imaginando se um filme destes faria sucesso hoje, no pós 11/9, com o mundo fazendo contagem regressiva pro Bush deixar a Casa Branca.
Na cena seguinte, Bruce Willis e seus amigos aparecem trabalhando numa plataforma de petróleo, orgulhosos do seu ofício. Alguém aí previa que o ouro negro um dia viraria algo tão last year quanto o carvão, por exemplo?
As tomadas de apreensão nos corredores do Pentágono e da Nasa, com personagens repetindo a exaustão dados ultra secretos de segurança nacional vêm agora com aquele ar de piada, já que ninguém conseguiu perceber que um bando de terroristas haviam entrado em aviões com bombas e facas naquele fatídico setembro de 2001.
E vem o momento derradeiro: são estes caipiras da plataforma que vão salvar o planeta perfurando o tal asteróide para colocar uma bomba lá dentro. E eu, no auge do meu recém despertado ufanismo diante de tanta bobagem ianque, falei: PUTA QUE PARIU, MAS POR QUE NÃO CHAMARAM A PETROBRÁS PRA PERFURAR ISSO TAMBÉM? NOSSAS PLATAFORMAS NÃO DEIXAM A DEVER A NINGUÉM.
Mas é claro que isso não aconteceria com o produto máximo de Hollywood, que é o blockbuster paranóico. E como eu disse antes, o petróleo se tornou tão demoníaco pros ambientalistas e chefes de estado da vida quanto minissaia pros crentes. O tempo passa, as coisas mudam e nem a nossa simpatia à la carnaval, futebol e estatal bem resolvida podem frear isto. Ainda bem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Não chamaram a Petrobrás porque nós não somos cowboys do petróleo como o Ben Affleck e o Bruce Willis.

Marina disse...

PUTA QUE PARIU, MAS POR QUE NÃO CHAMARAM A PETROBRÁS PRA PERFURAR ISSO TAMBÉM? NOSSAS PLATAFORMAS NÃO DEIXAM A DEVER A NINGUÉM.>>>>>>>>>>>>>Acho que o que nos falta é a **majia**

ps:O Owen Wilson está nesse filme(dado importante que não me faz odiá-lo de todo)

ps2:Que saudade da tv a cabo!

ps3:Tv a cabo grátis, claro

Rodrigo Souza disse...

Enquanto o personagem do Bruce fez questão de realçizar seu dever sozinho e se cobrir das glórias de ser um herói (e ser pulverizado logo em seguida...), fico imaginando a galera da BR se estapeando para entrar na nave e deixar o mais vacilão do grupo de fora, com a incumbência de salvar o dia.

— Não me deixa aqui não, porra!
— Sifodiaí! E aperta o botão vermelho quando a gente stiver bem longe!